10 de jan. de 2012

Da série escritos

Porta retrato


Abre-se a porta
Dobra-se a direta
Reto, a porta do quarto já aberta
E já se vê
Em meio a duas estantes de livros
Entre autores, escritores
Ele fica ainda mais bonito
Lá está ele com ela
A sintonia do quarto se completa
Com outras peças
Ele é o único daquele quarto
Ninguém tem outro espaço ali
O que ele vê, presencia, é um mundo
De sonhos, magias
Insônia, angústia
Ele pode se achar
É grande, bem moldurado e belo
O que contempla a moldura são dois personagens
Ali no mesmo instante juntos
Compartilhando um momento único
Eternizado na foto
E agora no porta retrato.

Autora: Angélica Weise – 02/01/2012
Escrito no verão em Agudo.

7 de jan. de 2012

Lembrança

De lembrança eu vivo.
De saudade ainda permaneço.

Angélica Weise

Abaixo o link para ver de uma cidade gloriosa que conheci. Assisi em Itália. A cidade de São Francisco.
http://www.youtube.com/watch?v=meSuNnYbBV4&feature=related

6 de jan. de 2012

Citações

Alegro-me em saber que o tempo se vai..
como o fluxo do água que corre no rio.
Angélica Weise

Ao citar o tempo, refiro-me ao Marcel Proust, que escreveu a célebre obra "Em busca do tempo perdido".
Abaixo algumas citações de Proust para esta sexta-feira de sol e muito calor.

'O amor é o espaço e o tempo medidos pelo coração'.
'O amor é uma doença inevitável, dolorosa e fortuita'.
'A felicidade no amor não é um estado normal'.

5 de jan. de 2012

O ano da formatura

Este ano de 2012, será o ano da minha formatura em Jornalismo.
Chego neste meu último semestre como acadêmica desta maravilhosa profissão, para afirmar: poderia ter feito mais. Muito mais.
Acredito que a maioria dos estudantes chegam a esta conclusão quando estão prestes a se formar, a pegar o 'canudinho'.
Arrependimento? Não.
Claro, poderia ter estagiado mais. Ter 'matado' menos aulas. Participado de mais congressos e eventos na área. Poderia-me ter integrado melhor a turma, ou, ter feito um grupo. E eu não o fiz.
Por muitos posso ser vista como mais uma que se forma em jornalismo. Para mim não. Tenho meus projetos as minhas ambições na área.
O 10 que não obtive em demais disciplinas, eu obtive com muita dedicação e sacrifício no 10 da monografia. E isso é muito bom.
Os anos que estudei aqui na UNISC, foram ótimos. De grandes descobertas. O curso sim, possibilitou que eu conhecesse vários lugares, e inclusive pessoas. Mas eu me fiz, eu me construí, eu me permiti. E não me arrependo de nada.
Agora, é só o começo.

6 de dez. de 2011

Trecho

“A ideia do destino costuma chegar-nos à mente apenas com a idade. Quando jovens, como você, geralmente não pensamos no assunto, percebemos tudo quanto acontece como fruto de nossa vontade. Sentimo-nos como pedreiros que vão construindo diante de si o próprio caminho. Só muito mais tarde é que nos damos conta de que a estrada já estava lá, e que alguém já a traçara para nós, de que a nós só nos cabe seguir adiante. É uma conclusão a que costumamos chegar lá pelos quarenta anos, e então começamos a entender que as coisas não dependem apenas de nós. É um momento perigoso, durante o qual a pessoa até se pode deixar tragar por um fatalismo claustrofóbico. Para se ver o destino em toda a sua realidade, é preciso deixar passar alguns anos mais. Lá pelos sessenta, quando o caminho que deixamos para trás é maior que o que ainda temos pela frente, notamos uma coisa que jamais havíamos notado antes: a estrada então percorrida não era reta, mas repleta de bifurcações, a cada passo uma seta indicando uma direção diferente; dali se afastava uma trilha, mais adiante uma senda relvosa que se perdia entre os bosques. Entramos nalguns desses caminhos sem sequer percebermos; em certos casos, nem chegamos a reparar na existência do desvio; as entradas descartadas nem sabemos aonde nos poderiam ter levado; talvez nos tivessem levado a um lugar melhor, talvez a um pior; não sabemos, e ainda assim não podemos deixar de sentir certa lástima. Podíamos fazer uma coisa, mas não fizemos, voltamos para trás em vez de avançarmos. O jogo-da-glória, você se lembra? A vida procede mais ou menos da mesma forma.
Ao longo do percurso, deparamos com as outras vidas: conhecê-las ou não, vivê-las profundamente ou deixá-las de lado, só depende da nossa escolha do momento; mesmo que não o saibamos, ao escolhermos um caminho em vez de outro podemos estar arriscando a nossa própria existência, bem como a de quem nos acompanha.”

* Trecho de Vá aonde seu coração mandar, da italiana Susanna Tamaro, em tradução de Mario Fondelli, para a Rocco, edição de 1995.

Texto do blog de Romar Beling - 06/12/2012

24 de nov. de 2011

Clarice por Clarice

“Uma vez eu irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria. Meu corpo, esse serei obrigada a levar. Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão. E irei à frente, sozinha, finalmente cega para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente. Não é a violência que eu procuro, mas uma força ainda não classificada mas que nem por isso deixará de existir no mínimo silêncio que se locomove. Nesse instante há muito que o sangue já terá desaparecido. Não sei como explicar que, sem alma, sem espírito, e um corpo morto — serei ainda eu, horrivelmente esperta. Mas dois e dois são quatro e isso é o contrário de uma solução, é beco sem saída, puro problema enrodilhado em si. Para voltar de ‘dois e dois são quatro’ é preciso voltar, fingir saudade, encontrar o espírito entregue aos amigos, e dizer: como você engordou! Satisfeita até o gargalo pelos seres que mais amo. Estou morrendo meu espírito, sinto isso, sinto...”

Clarice Lispector

eu amo literatura


E ao quinto tambor já estarei inconsciente na minha 126 127 cobiça. Até que de madrugada, aos últimos tambores levíssimos, me encontrarei sem saber como junto a um regato, sem jamais saber o que fiz, ao lado da enorme e cansada cabeça do cavalo.

Cansada de quê? Que fizemos nós, os que trotam no inferno da alegria? Há dois séculos que não vou. Da última vez que desci da sela enfeitada, era tão grande a minha tristeza humana que jurei que nunca mais. O trote porém continua em mim. Converso, arrumo a casa, sorrio, mas sei que o trote está em mim. Sinto falta como quem morre. Não posso mais deixar de ir.

E sei que de noite, quando ele me chamar, irei. Quero que ainda uma vez o cavalo conduza o meu pensamento. Foi com ele que aprendi. Se é pensamento esta hora entre latidos. Os cães latem, começo a entristecer porque sei, com o olho já resplandecendo, que irei. Quando de noite ele me chama para o inferno, eu vou. Desço como um gato pelos telhados. Ninguém sabe, ninguém vê. Apresento-me no escuro, muda e em fulgor. Correm atrás de nós cinqüenta e três flautas. À nossa frente uma clarineta nos alumia. E nada mais me é dado saber.

De madrugada eu nos verei exaustos junto ao regato, sem saber que crimes cometemos até chegar a madrugada. Na minha boca e nas suas patas a marca do sangue. O que imolamos? De madrugada estarei de pé ao lado do ginete mudo, com os primeiros sinos de uma Igreja escorrendo pelo regato, com o resto das flautas ainda escorrendo dos cabelos.

A noite é a minha vida, entardece, a noite feliz é a minha vida triste - rouba, rouba de mim o ginete porque de roubo em roubo até a madrugada eu já roubei, e dela fiz um pressentimento: rouba depressa o ginete enquanto é tempo, enquanto ainda não entardece, se é que ainda há tempo, pois ao roubar o ginete tive que matar o Rei, e ao assassiná-lo roubei a morte do Rei. E a alegria do assassinato me consome em prazer.

Eu estava comendo a mim mesma, que também sou matéria viva do sabath.

A Paixão Segundo G.H.