2 de jun de 2008

Estou cansada

Li esse texto hoje, e estou postando aqui.
Foi escrito por Everton Cunha.

Estou cansado, muito cansado. Cansado de gente estúpida, ignorante, prepotente, que pensa que o mundo gira no seu único e próprio umbigo. Cansado de gente vazia que não sabe o que diz, o que faz, de onde vem e pra onde vai (se é que vai). Cansado de gente falsa, hipócrita, que trata todo mundo como se fossem todos amigos – e são todos inimigos dentro de uma mesma trincheira. Cansado de gente que sorri o dia todo e, durante a noite, dorme, deixando toda merda que fez pra que seja limpa pelos que tem insônia e passam madrugadas de
angústias e depressões não entendendo do que essa gente tanto se diverte. Cansado dessa gente que se diverte ás custas dos outros, que esquece dos outros, que vive ás custas dos outros, que come pelos outros, que bebe pelos outros, que rouba o sonho dos outros, que não diz obrigado, que não dá licença, que não permite, que invade, que atrapalha. Gente que ofende, que não sabe discordar sem acordar a fúria que dorme disfarçada de lobo traiçoeiro, feito cobra venenosa que rasteja pronta para o bote. Cansado de ver toda essa gente que caminha parada no mesmo lugar e ocupa espaço, mas não preenche nada, e não anda, mas acha que manda e faz e desfaz o que bem quer, sem saber o que significa o bem querer. Cansado de gente que só sabe e conhece um único verbo e só faz uso dele em um único tempo, o presente, e passa o tempo todo do mundo “colhendo”, “colhendo” e “colhendo”, e desconhece toda e qualquer arte de semear, plantar, cuidar e preservar a espécie.
Estou cansado dessa espécie que infelizmente não entra em extinção, ao contrário, prolifera a cada dia. Estou cansado e cansado e cansado de gente fraca que não tem opinião e que muda de opinião sem ao menos ter opinião. Cansado de gente que pensa, que pelo fato de “ler” 3 mil livros da estante armada no canto da sala para visita ver sabe mais da vida do que aquele que leva o lixo da calçada a cada novo dia e, a cada nova noite, chega em casa com as mãos, os pés e o coração estraçalhados de sentir na própria pele e na própria alma a dor e sofrimento de não fazer parte dessa gente que eu digo: estou cansado.
Hoje quero acordar mais cedo, quero ver o sol, sentir calor, quero ver meus pais e irmã, dizer bom-dia e, ao som da mais bela canção, embalar meu sonho de criança de jamais estar cansado de gente como eu...

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